A função da córnea é o principal componente refrativo visual, seguido pelo cristalino. Ela é formada basicamente por colágeno e água e possui 6 camadas. A camada mais externa e superficial é o epitélio, responsável pela proteção contra agentes externos e pela regularidade óptica. Quando essa “barreira protetora” é quebrada por algum microorganismo invasor, abre-se a porta para a infecção. Esse é o caso das infecções causadas pelo vírus do herpes simples.
As infecções oculares por herpes simples viral (HSV-1) – o mesmo vírus responsável pelas feridas labiais – acometem o olho de várias formas, causando doenças como blefarite, conjuntivite, uveíte e ceratite, que são a inflamação das pálpebras, conjuntiva, úvea e córnea, respectivamente.
Esse tipo de infecção ocular é uma das principais causas de cegueira. Sozinho, este vírus infecta 66% da população mundial. Daí a necessidade significativa de investir em terapias antivirais eficazes.
Para entender melhor o assunto, continue lendo o artigo sobre o herpes simples viral (HSV-1) que preparamos!
Como o herpes simples (HSV-1) infecta os olhos?
Durante uma infecção primária, inicialmente o HSV-1 infecta o olho humano no epitélio da córnea. Uma vez infiltrado na célula hospedeira, viaja para o gânglio trigêmeo através de células neuronais aferentes e estabelece uma infecção latente.
Ele pode permanecer dormente ou latente durante a vida dos indivíduos infectados. Em muitos casos, o herpes simples pode reativar e retornar ao local da infecção inicial. O problema, nesse caso, é que os episódios de reativação pioram a doença ocular herpética e aumentam as chances de desenvolver condições mais graves, incluindo risco de perda visual por opacidade cicatricial na córnea (leucoma) e risco de transplante córnea.
Sintomas oculares relacionados ao vírus herpes simples

Os sintomas típicos da condição incluem:
- Dor nos olhos;
- Irritação e vermelhidão ocular – condições que exigem rápido atendimento oftalmológico;
- Sensação de corpo estranho no olho;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Olhos lacrimejantes;
- Inchaço ou inflamação das pálpebras (blefarite);
- Conjuntivite , possivelmente com inflamação da córnea ( ceratoconjuntivite );
- Aglomerados de caroços ou bolhas cheias de líquido (vesículas) ou pus (pústulas) nas pálpebras ou ao redor dos olhos;
- Úlceras de córnea ou outras alterações.
Sintomas mais graves podem incluir:
- Visão piorada;
- Inflamação da íris (irite);
- Perda repentina ou rápida da visão.
Como o herpes simples é tratado?
É importante salientar que não há cura para o vírus do herpes simples, no entanto é possível controlá-lo e suprimi-lo, pois isso evita que se reative e cause infecções recorrentes.
A principal forma de suprimir esse vírus é com o uso de medicamentos antivirais. As medicações interferem na forma como o mesmo se replica, o que pode tratar uma infecção atual ou uma crise.
Porém, o oftalmologista também pode recomendar antibióticos e anti-inflamatórios para tratar a infecção ou os sintomas. Já para os casos com danos oculares mais graves pode ser necessária a cirurgia.
Algumas manifestações e complicações provocadas pelo HSV-1
Blefarite herpética
A blefarite herpética é uma inflamação que acomete uma ou ambas as pálpebras causada pelo vírus herpes simples. Pode ocorrer como uma infecção primária ou recorrente.
Manifesta-se causando dor, vermelhidão, inchaço e irritação. Além disso, surgem pequenas lesões vesiculares na área afetada que progridem para úlceras e crostas na pálpebra, podendo afetar a córnea.
O tratamento geralmente envolve medicamentos antivirais, tópicos ou sistêmicos, além de aplicação de compressas frias para ajudar a aliviar o desconforto e a inflamação, e higiene palpebral cuidadosa.

Conjuntivite herpética
Este tipo de condição é caracterizado por uma inflamação da conjuntiva causada pelo vírus herpes simples. Ela pode ser confundida com uma conjuntivite comum, mas geralmente afeta apenas um olho e pode ser um sintoma inicial de herpes ocular.
Entre os sintomas da conjuntivite herpética estão sintomas como vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz, visão embaçada, sensação de corpo estranho, dor ocular, coceira no olho e inchaço da pálpebra.
O tratamento pode incluir antiviral tópico ou sistêmico, lubrificantes oculares e cuidados gerais.
Ceratite
A ceratite é uma condição comum causada por infecções recorrentes da córnea com o vírus herpes simples (HSV-1). Geralmente, afeta a superfície da córnea, mas, às vezes, envolve o estroma corneano (as camadas mais profundas da córnea) ou a superfície corneana interna (endotélio). O envolvimento do estroma e endotélio é, provavelmente, uma resposta imunológica contra o vírus.
O diagnóstico da ceratite por herpes simples inicialmente é clínico, incluindo uma avaliação meticulosa com lâmpada de fenda. Ainda que a reação em cadeia da polimerase (PCR), o ensaio de imunoadsorção enzimática e o ensaio de imunofluorescência sejam exames adicionais que podem ser realizados para confirmação diagnóstica, a cultura viral é o padrão-ouro.
A ceratite por herpes simples pode resultar de infecção ocular primária por HSV ou infecção recorrente.
Na infecção primária a infecção inicial geralmente se manifesta na infância por transmissão por gotículas e, com menor frequência, por inoculação direta. A maioria das infecções primárias é subclínica e se manifesta como febre leve, mal-estar e infecção do trato respiratório superior. Geralmente, não há envolvimento da córnea nessa fase. Se ela está envolvida, os sintomas são sensação de corpo estranho, lacrimejamento, fotofobia e hiperemia conjuntival.
A infecção primária também pode resultar em blefarite vesicular (bolhas na pálpebra).
Já na infecção recorrente, o herpes ocular recorrente afeta a córnea. A reativação do vírus latente pode ser desencadeada pela exposição à luz UV, febre, menstruação, estresse físico sistêmico significativo, imunossupressão ou uso de glicocorticoides.
Os três tipos principais de ceratite por herpes simples são:
- Ceratite epitelial (ceratite dendrítica);
- Ceratite disciforme (endotelite localizada);
- Ceratite estromal.
Geralmente, as recidivas assumem a forma de ceratite epitelial, com sintomas como lacrimejamento, sensação de corpo estranho e lesão característica de ramificação do epitélio da córnea com terminais em forma de bulbo que se coram com fluoresceína. Já as múltiplas recidivas podem resultar em hipoestesia ou anestesia da córnea, ulceração, formação de cicatriz permanente, opacificação, afinamento do estroma corneano e redução da visão.
A ceratite disciforme, que envolve primariamente o endotélio corneano, tem história de ceratite epitelial. Essa forma pode causar dor, fotofobia e perda reversível da visão.
É provável que a ceratite estromal cause necrose do estroma e dor intensa, fotofobia, sensação de corpo estranho, ulceração, cicatrizes permanentes, opacificação, neovascularização, afinamento do estroma corneano e diminuição irreversível da visão.
O tratamento costuma envolver o uso de medicações como aciclovir tópico ou sistêmico, valaciclovir e famciclovir, por via oral ou IV. Para o envolvimento estromal ou uveral, são usados corticóides tópicos e medicamentos antivirais.
Uveíte anterior viral
A uveíte anterior viral, associada ao vírus herpes simples, é mais comum durante a reativação do que na doença primária. Afeta principalmente a íris e o corpo ciliar, resultando em desconforto e risco para a visão.
Essa é uma condição séria que exige atenção imediata. Normalmente, acomete apenas um olho, mas pode ocorrer em ambos. Está frequentemente associada à hipertensão ocular aguda e pode ocorrer com ou sem envolvimento da córnea. Pode causar problemas como dor ocular, vermelhidão, lacrimejamento, fotofobia, secreção e visão turva.

O tratamento visa controlar a inflamação e combater o vírus causador. Entre as opções estão inclusos os antivirais orais ou tópicos e corticoides.
Quando você deve procurar um oftalmologista?
Procure atendimento imediato se tiver: vermelhidão ocular, dor intensa no olho afetado, visão repentinamente embaçada, sensibilidade extrema à luz e secreção purulenta. Em crianças, especialmente, deve-se ficar muito atento às lesões palpebrais que causam vermelhidão, dor e inchaço. É importante procurar atendimento médico para diagnóstico e tratamento adequados, pois o herpes ocular pode levar a complicações mais graves se não tratado.
Como pudemos perceber, nem tudo que parece simples e inofensivo, especialmente quando estamos falando da saúde dos olhos, assim o é. As infecções causadas pelo vírus do herpes simples podem ser uma condição grave, porém com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos casos tem bom prognóstico.
Por isso, nunca negligencie alterações oculares que pareçam inofensivas, sempre procure seu oftalmologista para diagnóstico e tratamento adequados.
Vamos cuidar disso juntos?
Com anos de experiência, meu foco é ajudar os pacientes a VEREM o mundo da melhor maneira possível por meio de tratamentos modernos e de acordo com cada particularidade. Vamos agendar uma consulta e entender como podemos cuidar da sua saúde?
Dra Terla Castro
Médica Oftalmologista
CRM 22717
RQE 13628
Especialista em Córnea, Cirurgia do Ceratocone, Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata, Implante de Lentes intraoculares e Lentes de Contato.
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