A aparência dos olhos desempenha um papel fundamental na harmonia facial e na autoestima. A cor dos olhos e o branco da esclera são considerados indicativos de saúde e beleza porque refletem o equilíbrio fisiológico e a juventude do organismo. Uma membrana branca e brilhante, por exemplo, sugere boa saúde vascular, ausência de inflamações e baixa exposição a toxinas, enquanto olhos com cores vívidas e uniformes são associados a vitalidade e atratividade.
Estudos em psicologia indicam que humanos, inconscientemente, interpretam olhos claros e escleras brancas como sinais de saúde e fertilidade, enquanto manchas amareladas ou vermelhidão podem indicar cansaço, doenças ou envelhecimento, reduzindo a percepção do belo. No entanto, a busca dessa beleza harmônica e da jovialidade por meio da aparência dos olhos, com objetivo meramente estético , tem trazido não apenas questionamentos, mas também preocupações aos especialistas.
Recentemente, o assunto ganhou notoriedade no Brasil após a publicação de um vídeo em rede social, no qual uma modelo brasileira afirmou ter realizado uma cirurgia para mudar a cor dos olhos na França. As imagens, logicamente, renderam milhões de visualizações e dividiram opiniões. Em nosso país, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) o uso da ceratopigmentação para fins estéticos é desaconselhado em pacientes saudáveis.
O procedimento é recomendado exclusivamente para pessoas que perderam a visão e pode ser realizado apenas quando a córnea já está comprometida, para revitalização das córneas esbranquiçadas nos olhos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também não autoriza o uso da técnica com finalidade estética, apenas reconstrutiva.
Vale destacar que a ceratopigmentação refere-se apenas à coloração da córnea, sendo a modificação da coloração da esclera (parte branca do olho) totalmente contraindicada!
Ceratopigmentação Ocular: reconstrução estética da aparência dos olhos.
Antes de mais nada, é importante salientar, novamente, que no Brasil, a ceratopigmentação para fins estéticos em pacientes saudáveis é proibida pelos potenciais riscos à saúde ocular. O procedimento pode levar a infecções, aumento da pressão ocular, redução da visão periférica e até a possibilidade de cegueira. Além desses riscos diretos à visão, essa espécie de tatuagem de córnea é capaz de interferir em futuros exames e tratamentos, como o mapeamento de retina e a cirurgia de catarata.
A ceratopigmentação é um procedimento oftalmológico que consiste na aplicação de micropigmentos na córnea – a parte transparente na frente do olho. Costuma ser realizada para melhorar a aparência dos olhos em casos de:
- Opacidade de córnea;
- Atrofia ocular;
- Coloboma;
- Iridodiálise/iridectomia, para evitar diplopia monocular;
- Nébula difusa;
- Aniridia.

Técnicas de Ceratopigmentação
A técnica deve ser realizada exclusivamente por médicos oftalmologistas e em ambiente hospitalar. O procedimento inicia com a aplicação de colírios anestésicos para melhor conforto do paciente. Logo após, é utilizada uma agulha especial, com a qual o médico injeta delicadamente os micropigmentos no estroma da córnea, seguindo um padrão específico.
As técnicas variam, incluindo micropunção estromal, dupla bolsa lamelar e a laser por femtosegundo (FAK), sendo esta última reconhecida por seus resultados superiores, apesar do alto custo.
O tempo de execução do procedimento varia conforme a técnica utilizada pelo cirurgião, porém costuma levar entre 40 a 60 minutos por olho e podem ser necessárias sessões adicionais para obter o efeito desejado.
O procedimento é considerado de “alto risco” em olhos normais. Entre as principais complicações podem surgir infecção ocular, reações alérgicas ao pigmento, resultados insatisfatórios, desbotamento ou mudança de cor (exigindo retoques).
Clareamento da Esclera: restaurando “o branco dos olhos”.
Conforme apontamos inicialmente, alguns estudos sobre o comportamento humano indicam que, quanto mais branca for a esclera ocular de um indivíduo, mais saudável e atraente ele se torna aos olhos do outro. Além disso, sua aparência pode indicar mais jovialidade do que indivíduos que apresentam olhos mais vermelhos e amarelos. Sendo assim, não é surpresa alguma que as pessoas estejam buscando maneiras de melhorar a aparência dos olhos (muitas vezes colocando-se em risco).
Outra alternativa utilizada com finalidade estética por muitas pessoas é o clareamento escleral por meio de colírios. Não haveria problema se isso fosse feito por recomendação médica, após diagnóstico. No entanto, o que se percebe, na verdade, é o seu uso indiscriminado e sem orientação. Os resultados podem ser imediatos, mas, a longo prazo podem gerar complicações severas.
Como se sabe, a esclera é a parte branca do olho que você vê ao redor da íris (parte colorida que abriga a pupila). Ela é um ótimo indicador da saúde de uma pessoa. Em geral, escleras vermelhas podem indicar olhos secos ou outras anormalidades nos vasos sanguíneos. Já as amareladas podem ser o primeiro sinal de que algo está errado com a função hepática ou pancreática Logo, se não fosse pela cor da mesma, alguns problemas de saúde poderiam levar muito mais tempo para serem diagnosticados.
Cuidado com o uso de colírios!
Os colírios usados para clarear os olhos, conhecidos por serem descongestionantes, levam à contração dos vasos sanguíneos na conjuntiva, provocando o clareamento dos olhos. E, por serem medicamentos de venda livre, seu uso torna-se indiscriminado.
Ocorre que isso pode gerar inúmeras consequências indesejadas. Entre elas, talvez a principal, mascarar problemas de saúde mais graves, desde os oculares, aos hepáticos e pancreáticos, por exemplo. Outros efeitos indesejados do uso indiscriminado dos colírios clareadores são secura ocular, irritação, ardência e dilatação da pupila e risco de aumento da pressão intraocular.
Portanto, o primeiro passo para solucionar o problema é consultar um oftalmologista, descobrir a origem da alteração na esclera e realizar o tratamento adequado.

Nota do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)
Diante de notícias divulgadas em redes sociais e pela imprensa de uso da técnica da ceratopigmentação para mudança da cor dos olhos, o que tem sido tratada como tatuagem da córnea, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) faz as seguintes recomendações à população em geral:
- O uso da ceratopigmentação para fins estéticos é desaconselhado pelo CBO em pacientes saudáveis e ressalta que o procedimento é recomendado exclusivamente para pessoas que perderam a visão e pode ser realizado apenas quando a córnea já está comprometida.
- A mudança da cor dos olhos por meio de pigmentação feita em intervenção cirúrgica é procedimento de alto risco, com resultados irreversíveis, que deve ser realizado apenas sob estrita recomendação médica.
- Dentre os problemas que podem ser causados pelo uso indevido dessa técnica estão: o surgimento de casos de lesões na córnea (parte do olho correspondente ao vidro do relógio) que podem ser persistentes e levar à perfuração do olho, infecções graves (até no interior do olho), e aumento da pressão dentro do olho.
- Pacientes que já utilizaram a técnica informam dificuldade de enxergar, dor no olho, ardência, sensação de areia, aversão à luz e lacrimejamento persistente. Todas essas situações podem levar à redução da visão do paciente, seja na periferia ou no centro da visão, evoluindo em alguns casos para a cegueira permanente.
- Esse tipo de procedimento tem indicação apenas para olhos de pacientes com cegueira permanente (ou com baixa visão extrema) com objetivo de tentar recuperar a aparência de um olho normal. Nessas situações, são consideradas como cirurgias reparadoras de deformidade ocular aparente.
- Mesmo nesses casos, sempre deve-se avaliar as causas dessas manchas brancas, e se não há possibilidade de algum procedimento que restaure a visão desse olho, como o transplante de córnea por exemplo.
- Assim, a prescrição e execução de cirurgias desse tipo são prerrogativas exclusivas do médico oftalmologista, que avaliará a condição ocular do paciente, sendo que a indicação da abordagem é personalizada para cada caso.
São Paulo, 12 de janeiro de 2024
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