Entre os diversos tipos de Catarata encontra-se a Catarata Nuclear. Esta tem como característica uma opacificação e endurecimento do centro do cristalino – a lente natural do olho-, o que resulta em visão turva, ofuscamento e outras alterações na visão. Embora nem sempre nomeada, é o tipo mais comum da condição.
A Catarata Nuclear começa como uma esclerose nuclear: um endurecimento e amarelamento normal do cristalino com a idade, em geral acima dos 75 anos. À medida que progride, e o cristalino se torna mais endurecido e opaco, a condição é assim classificada.
Este texto explora as principais causas da condição e seus diferentes graus, dando maior ênfase não apenas às características que definem o grau 3 como também aos sintomas e à forma como é realizada a cirurgia de Catarata.
Causas e sintomas da Catarata Nuclear
O cristalino – a lente do olho – é constituído por proteínas transparentes chamadas “cristalinas”. Estas estão dispostas em camadas e permitem a passagem da luz. Entretanto, a idade avançada e a exposição à luz ultravioleta fazem com que elas se aglomerem e, quando somadas a maus hábitos de vida, acelerem o processo de opacificação.
Quando isso acontece, o cristalino perde a transparência e fica amarelado. Com o tempo, ele passa de amarelo para marrom e continua a endurecer. Consequentemente, a qualidade da visão do paciente diminui, porque menos raios de luz conseguem atingir a retina.

Em relação aos sintomas, eles aparecem lentamente ao longo do tempo. Alguns são:
- visão turva e embaçada;
- dificuldade de leitura (material impresso);
- dificuldade de dirigir à noite;
- em condições de pouca luz, é difícil de perceber o contrastes;
- aumento da sensibilidade à luz solar;
- cores parecem alteradas e desbotadas.
Classificações da Catarata Nuclear
A Catarata Nuclear é classificada de acordo com um sistema de graduação de 1 a 4, considerando sua cor e opacidade. Esta classificação segue a escala LOCS III (Lens Opacities Classification System), um sistema fotográfico padronizado que permite aos oftalmologistas classificar a densidade e o tipo da catarata de forma objetiva.
- Grau 1 – Leve. Início da Catarata Nuclear.
- Grau 2 – Moderado.
- Grau 3 – Pronunciado.
- Grau 4 – Grave. Lente completamente marrom e opaca.
Importante destacar que a catarata progride lentamente; pode levar anos para que passe de um grau para o outro.
Catarata Nuclear grau 3
A Catarata Nuclear grau 3 representa um estágio avançado e específico do envelhecimento do cristalino, caracterizado pela opacificação intensa e compactação do núcleo (centro) da lente natural do olho.
Atingir o grau 3 significa que o núcleo, que em um cristalino jovem é macio e transparente, sofreu alterações bioquímicas profundas: as proteínas do mesmo (cristalinas) desnaturam-se, agregam-se e formam uma estrutura rígida e amarelada ou acastanhada que avança para um tom âmbar ou marrom em fases muito avançadas.
Essa alteração não é meramente de cor; é uma mudança estrutural que impacta diretamente a qualidade da visão do paciente.
Sintomas e impacto visual característicos da Catarata Nuclear grau 3
Os sintomas de uma Catarata Nuclear grau 3 são pronunciados e frequentemente debilitantes para as atividades diárias. O paciente experimenta uma perda significativa da acuidade visual, mesmo com a melhor correção com óculos, pois a lente interna do olho perdeu sua transparência.
Um fenômeno paradoxal comum é a miopização secundária ou “segunda vista”: o endurecimento e o aumento do índice de refração do núcleo podem fazer com que pacientes antes hipermétropes ou com visão de longe embaçada consigam ler temporariamente sem óculos para perto. No entanto, este é um alívio fugaz e de baixa qualidade, pois a visão geral permanece embaçada e com redução drástica do contraste e da percepção de cores.

O mundo passa a ser visto como se estivesse constantemente envolto em uma névoa amarelada ou sépia, com cores vivas como o azul e o roxo sendo particularmente difíceis de distinguir. A sensibilidade ao glare (ofuscamento) é extrema, especialmente ao dirigir à noite com faróis contra ou em dias de sol intenso.
Desafios e técnicas cirúrgicas específicas
A cirurgia de catarata para um grau nuclear 3 é tecnicamente mais desafiadora do que para cataratas iniciais, mas continua sendo um procedimento de rotina para um cirurgião experiente. O principal desafio reside na dureza extrema do núcleo.
Os cirurgiões oftalmologistas podem usar diferentes tipos de cirurgia de catarata. A técnica padrão de facoemulsificação, que utiliza ultrassom para fragmentar e aspirar o cristalino, requer mais energia e tempo de emulsificação. O cirurgião deve utilizar parâmetros de ultrassom mais altos e estratégias cirúrgicas específicas para dividir e manipular esse núcleo denso de forma segura, minimizando o estresse sobre as estruturas oculares delicadas, como o endotélio corneal (células responsáveis pela transparência da córnea).
Em alguns casos, a cirurgia é feita com laser de femtosegundo. Durante o procedimento, o médico usa esta ferramenta para fazer incisões, amolecer a catarata endurecida e, em seguida, fragmentá-la em pequenos pedaços. Esse sistema obteve sucesso no tratamento cirúrgico da condição, pois automatizou as três principais etapas cirúrgicas: incisão da córnea, capsulotomia e fragmentação do cristalino. Maior precisão e menos efeitos colaterais nos tecidos são algumas de suas vantagens.
A biometria pré-operatória – cálculo da potência da lente intraocular (LIO) a ser implantada – também exige atenção especial. O uso de biômetros de última geração baseados em tecnologia Swept-Source OCT é altamente recomendável, pois conseguem “penetrar” melhor através da opacidade, fornecendo medições do comprimento axial do olho mais precisas e confiáveis.
Resultados esperados
Apesar dos desafios, os resultados da cirurgia de Catarata Nuclear grau 3 são altamente gratificantes. Após a remoção do núcleo opaco e amarelado e a implantação de uma LIO transparente, o paciente experimenta uma transformação visual dramática.
A recuperação da acuidade visual, do contraste e das cores é frequentemente descrita como “enxergar um mundo novo”. As cores recuperam sua vividez, a visão noturna melhora substancialmente e a dependência de correções ópticas elevadas é eliminada. Portanto, mesmo em um estágio avançado, a Catarata Nuclear permanece uma condição de cegueira totalmente reversível.

A intervenção cirúrgica, quando realizada com tecnologia apropriada e expertise, devolve não apenas a função visual, mas também a qualidade de vida, a autonomia e a capacidade de interagir com o mundo em toda sua plenitude cromática e definição.
Vamos cuidar disso juntos?
Com anos de experiência, meu foco é ajudar os pacientes a VEREM o mundo da melhor maneira possível por meio de tratamentos modernos e de acordo com cada particularidade. Vamos agendar uma consulta e entender como podemos cuidar da sua saúde?
Dra Terla Castro
Médica Oftalmologista
CRM 22717
RQE 13628
Especialista em Córnea, Cirurgia do Ceratocone, Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata, Implante de Lentes intraoculares e Lentes de Contato.
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