A cirurgia refrativa a laser (LASIK, PRK, SMILE, entre outras) é um procedimento seguro e transformador para milhões de pessoas. No entanto, não é uma solução universal. A candidatura depende de critérios rigorosos de segurança, e uma parte significativa da população não é elegível.
Identificar quem não pode fazer a cirurgia refrativa a laser é tão importante quanto reconhecer quem é candidato. As contraindicações podem ser absolutas – que proíbem definitivamente o procedimento – ou relativas, que exigem cautela extrema ou adiamento.
Neste artigo, vamos esclarecer quais são as condições oculares que não permitem a realização da cirurgia ocular, bem como quais são as condições sistêmicas e de saúde geral que a impedem. Além disso, vamos levantar alguns aspectos práticos em relação ao procedimento.
1. Condições oculares que impedem a cirurgia refrativa a laser
- Córnea fina ou irregular: o princípio do laser é remodelar a curvatura da córnea, removendo uma camada microscópica de tecido. Se a córnea for muito fina , o procedimento pode enfraquecê-la estruturalmente, levando a um risco aumentado de ectasia corneana – uma deformação progressiva semelhante ao ceratocone. Irregularidades na topografia corneana, como ceratocone ou ceratoglobo, são contraindicações absolutas.
- Grau instável (refração não estabilizada): a miopia, hipermetropia ou astigmatismo devem estar estáveis por pelo menos 1 ano. Operar um grau que ainda está aumentando resultará em regressão rápida do resultado. Isso é comum em pacientes jovens, geralmente menores de 21 anos.

- Olho seco severo: a cirurgia, especialmente o LASIK, pode temporariamente piorar a síndrome do olho seco ao interromper fibras nervosas da córnea. Pacientes com olho seco pré-existente e não controlado podem ter sintomas debilitantes pós-operatórios, como dor, visão flutuante e risco maior de inflamação. É uma contraindicação relativa que requer tratamento prévio rigoroso.
- Doenças oculares ativas ou graves: incluem catarata significativa (que exige outra cirurgia), glaucoma descontrolado (a pressão intraocular pode subir durante o procedimento), herpes ocular ativo ou recorrente (o laser pode reativar o vírus), doenças da retina (como descolamento de retina prévio ou degenerações periféricas significativas que precisam de tratamento anterior) e uveíte (inflamação intraocular).
- Pupila muito grande (em condições de baixa luminosidade): pacientes com pupilas que dilatam muito no escuro têm maior risco de sofrer com sintomas visuais noturnos, como halos, glare (ofuscamento) e visão borrada, pois o tratamento a laser pode não cobrir toda a área pupilar dilatada.
2. Condições sistêmicas e de saúde geral
- Doenças autoimunes e colagenoses sistêmicas: lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren e outras. Estas doenças podem prejudicar a capacidade de cicatrização do organismo, levar a úlceras de córnea pós-operatórias ou reações inflamatórias severas.
- Imunossupressão: pacientes em uso de medicamentos imunossupressores (para doenças autoimunes ou após transplantes) ou com HIV/AIDS não controlado têm risco aumentado de infecções e cicatrização deficiente.
- Diabetes Mellitus descontrolada: a glicemia elevada pode causar flutuações no grau, retardar a cicatrização e aumentar o risco de infecções e retinopatia diabética. Pacientes com diabetes bem controlada podem ser candidatos, após avaliação rigorosa.
- Gravidez e amamentação: as flutuações hormonais durante este período podem causar alterações temporárias no grau e na espessura da córnea, além de ressecamento ocular. A cirurgia refrativa deve ser adiada até vários meses após o fim da amamentação e quem operou só pode gestar após 1 ano da cirurgia.
3. Aspectos práticos e comportamentais
- Expectativas irrealistas: esperar uma visão “perfeita” (20/20) em 100% dos casos ou acreditar que nunca mais precisará de óculos para leitura ou para distância indica falta de entendimento sobre o procedimento. Na maioria dos casos é possível promover a independência dos óculos na maioria do tempo, entretanto óculos complementares de uso eventual podem ser necessários.
- Profissões ou hobbies de alto risco: em alguns casos específicos (ex.: lutadores de artes marciais, boxeadores), o risco de trauma no flap (no procedimento LASIK) pode ser uma contraindicação relativa para a cirurgia refrativa a laser, favorecendo técnicas de superfície como o PRK.
- Inabilidade de seguir instruções pós-operatórias: o sucesso depende do uso correto de colírios, proteção ocular e comparecimento aos retornos para avaliação.
A importância da triagem

A razão principal para tantos exames pré-operatórios detalhados (topografia, paquimetria, microscopia especular, dilatação pupilar) é justamente excluir os não candidatos à cirurgia refrativa a laser. Dizer “não” a um paciente é um ato de ética e segurança médica.
Para muitos desses pacientes, alternativas como o implante de lentes fácicas (ICL) para altos graus ou a cirurgia de catarata premium, para pacientes com presbiopia ou cristalino opaco, podem ser opções mais seguras e eficazes.
A consulta com um cirurgião refrativo experiente é, portanto, um processo de diagnóstico e educação, garantindo que a escolha pela cirurgia refrativa a laser, se feita, seja a mais segura e adequada para cada indivíduo.
Vamos cuidar disso juntos?
Com anos de experiência, meu foco é ajudar os pacientes a VEREM o mundo da melhor maneira possível por meio de tratamentos modernos e de acordo com cada particularidade. Vamos agendar uma consulta e entender como podemos cuidar da sua saúde?
Dra Terla Castro
Médica Oftalmologista
CRM 22717
RQE 13628
Especialista em Córnea, Cirurgia do Ceratocone, Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata, Implante de Lentes intraoculares e Lentes de Contato.
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