Mosquito Aedes Aegypti que causa a dengue.

DENGUE PODE CAUSAR DOENÇAS OCULARES? 

COMPREENDENDO AS COMPLICAÇÕES OFTÁLMICAS DA FEBRE HEMORRÁGICA

Os dias começaram a ficar mais quentes e, com isso, um problema bastante comum, na primavera e no verão, retorna: a presença dos mosquitos. No entanto, a preocupação maior não está centrada apenas nos incômodos causados pelos insetos, mas numa doença viral transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti – a dengue – que pode levar a sérios problemas relacionados à saúde.

A dengue é amplamente reconhecida por seus sintomas sistêmicos debilitantes, como febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares intensas, perda de apetite, náuseas e vômitos, manchas vermelhas na pele e prostração. Já os casos mais graves podem evoluir para forma hemorrágica com baixa acentuada da contagem de plaquetas, hemorragias na pele, sangramentos nas gengivas ou pelo nariz e aparecimento de sangue na urina. Os quadros hemorrágicos podem evoluir para choque e falência dos órgãos, levando o paciente ao óbito.

Entretanto, o que uma parcela significativa da população desconhece é que essa doença pode, de fato, causar uma variedade de doenças oculares. Essas complicações, embora menos frequentes, podem ser graves e levar a sequelas visuais permanentes, se não diagnosticadas e tratadas a tempo. 

Por meio deste texto, pretendemos esclarecer como a dengue pode levar a problemas oculares graves e destacar a importância do acompanhamento oftalmológico durante e após a infecção, uma vez que complicações podem surgir mesmo quando os sintomas sistêmicos da doença já estão amenizados. 

Dessa forma, este artigo serve como um alerta para que a dengue não seja subestimada em seu potencial de afetar a saúde ocular, reforçando que a preservação da visão depende da vigilância contínua e da integração entre o manejo clínico da doença e a avaliação oftalmológica especializada.

Manifestações oculares causadas pela dengue

Mosquito transmissor da dengue - Aedes Aegypti - pousado sobre a pele de uma pessoa.

Embora as manifestações mais visíveis, como as hemorragias subconjuntivais, sejam geralmente benignas e transitórias, as alterações que ocorrem no fundo do olho representam o verdadeiro risco à visão, exigindo diagnóstico precoce por um especialista para que o tratamento possa ser instituído a tempo de prevenir danos permanentes na retina. 

A manifestação ocular mais comum da dengue é a hemorragia subconjuntival. Esta condição, caracterizada por um sangramento sob a membrana transparente que cobre a parte branca do olho (conjuntiva), é facilmente visível como uma mancha vermelha-viva e plana. Embora sua aparência seja alarmante, geralmente é indolor e se resolve espontaneamente em uma a duas semanas, sem necessitar de tratamento específico. Sua ocorrência está relacionada à trombocitopenia – a queda drástica na contagem de plaquetas, que são essenciais para a coagulação sanguínea –, um achado frequente e perigoso na dengue.

Contudo, as complicações mais sérias ocorrem dentro do olho, afetando a retina e a coroide, estruturas vitais para a visão. A principal e mais temida delas é a coriorretinite da dengue. Esta condição é uma inflamação da coroide (uma camada vascular) e da retina (o tecido nervoso sensível à luz). Acredita-se que ela seja causada por um mecanismo imunológico, no qual o sistema de defesa do corpo, ao combater o vírus, acaba atacando os tecidos oculares saudáveis, ou por uma ação direta do vírus no olho. 

Os sintomas da coriorretinite incluem:

  • Visão turva ou embaçada;
  • Manchas escuras no campo de visão (escotomas);
  • Metamorfopsia (distorção das imagens);
  • Perda súbita e significativa da visão, em casos mais severos.

O diagnóstico é realizado por meio do exame de fundo de olho por um oftalmologista, que poderá observar manchas hemorrágicas e exsudatos (acúmulo de fluidos) na retina. Em muitos casos, exames de imagem mais detalhados, como a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) e a Angiografia Fluoresceínica, são necessários para confirmar a extensão do dano e guiar o tratamento.

Outras complicações oculares menos frequentes, porém possíveis, incluem a neurite óptica  – inflamação do nervo óptico, que leva à perda de visão e dor com o movimento dos olhos -, a uveíte (inflamação intraocular) e as oclusões vasculares retinianas, quando veias ou artérias da retina são obstruídas, semelhante a um “AVC no olho”.

Tratamento e prognóstico das complicações oculares

O tratamento das complicações oculares da dengue depende da gravidade e da estrutura afetada. Para a coriorretinite, por exemplo, o pilar principal é o uso de corticosteroides, administrados sob a forma de comprimidos orais ou, em alguns casos, de injeções perioculares ou intraoculares. Essas medicações atuam potente e rapidamente para suprimir a inflamação descontrolada, prevenindo a formação de cicatrizes retinianas irreversíveis. 

Jovem  tomando medicação para dengue - em uma das mãos, segura um copo azul com água, na outra mão o comprimido.

A boa notícia é que, com o diagnóstico precoce e a intervenção adequada, a maioria dos pacientes com coriorretinite por dengue experimenta uma melhora significativa na acuidade visual. No entanto, alguns podem ficar com sequelas visuais permanentes, como distorções ou manchas no campo de visão, especialmente se o diagnóstico for tardio ou se a inflamação tiver sido particularmente agressiva.

Por fim, vale destacar que sim: a dengue pode causar doenças oculares, que variam de simples sangramentos autolimitados a inflamações intraoculares potencialmente graves, que inclusive podem levar à cegueira. Portanto, é fundamental estarmos cientes desta possibilidade e entendermos que a prevenção continua sendo a melhor forma de enfrentar a doença. O combate ao mosquito transmissor e as larvas ainda são a melhor medida contra as enfermidades causadas pelo Aedes Aegypti .

Além disso, diante de qualquer sintoma de alteração visual – como visão turva, distorcida ou o aparecimento de manchas escuras – durante ou mesmo algumas semanas após um episódio de dengue, a busca imediata por um atendimento oftalmológico é extremamente importante para preservar uma das funções mais preciosas do corpo humano: a visão.

Vamos cuidar disso juntos?      

Com anos de experiência, meu foco é ajudar os pacientes a VEREM o mundo da melhor maneira possível por meio de tratamentos modernos e de acordo com cada particularidade. Vamos agendar uma consulta e entender como podemos cuidar da sua saúde? 

Dra Terla Castro

Médica Oftalmologista 

CRM 22717

RQE 13628

Especialista em Córnea, Cirurgia do Ceratocone, Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata, Implante de Lentes intraoculares e Lentes de Contato. 

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