A gestação, certamente, é um período de intensas transformações físicas e emocionais para a mulher, marcado por uma montanha-russa de sentimentos que vão da alegria e expectativa à ansiedade e insegurança. Entretanto, para que o tempo gestacional seja tranquilo, é necessário um cuidado especial com a saúde materna, pois existem doenças que , se desenvolvidas durante a gravidez, podem comprometer a saúde do feto. Um exemplo disso é a toxoplasmose.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. A condição pode afetar diversos órgãos, incluindo os olhos. Quando a infecção compromete a visão, recebe o nome de toxoplasmose ocular, sendo uma das principais causas de uveíte posterior, inflamação na parte interna do olho.
Embora muitas pessoas possam ser infectadas sem apresentar sintomas graves, a doença pode ser extremamente perigosa durante a gestação, pois pode causar complicações sérias para o feto. Sendo assim, é essencial que as gestantes conheçam os riscos, saibam como se prevenir e também conheçam quais medidas devem ser adotadas para garantir uma gestação saudável.
O que é a toxoplasmose?
A toxoplasmose é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. A contaminação ocorre pelo contato com fezes de gatos infectados, ingestão de alimentos ou água contaminada e transmissão congênita, quando uma mãe infectada transmite o parasita ao bebê durante a gestação.

Em relação à saúde dos olhos, a toxoplasmose ocular pode se manifestar tanto em pessoas que adquiriram a infecção na vida quanto naquelas que nasceram com a doença. O principal hospedeiro do Toxoplasma gondii são os felinos, ainda que a infecção possa ocorrer por diversas vias, como:
- Ingestão de carne crua ou mal cozida contaminada;
- Consumo de água ou alimentos contaminados com oocistos do protozoário;
- Contato com fezes de gatos infectados;
- Transmissão congênita, quando a mãe transmite o parasita para o bebê durante a gestação.
Toxoplasmose ocular e suas implicâncias na saúde da gestante e do feto
Estudos comprovam que as mulheres podem transmitir a toxoplasmose ocular para o feto apenas quando infectadas pela primeira vez, meses antes ou durante a gravidez, ou se estiverem gravemente imunocomprometidas. Após esse período, os fetos de gestações seguintes ficariam protegidos da doença congênita.
Os sintomas da toxoplasmose ocular variam, mas frequentemente incluem visão embaçada, dor ocular, sensibilidade à luz e manchas escuras no campo visual. Em casos mais graves, pode ocorrer perda significativa de visão.
O diagnóstico é feito por exames oftalmológicos detalhados, como o mapeamento de retina, além de outros laboratoriais para detectar a presença de parasita no organismo. Para gestantes, esse rastreamento é fundamental para detectar a infecção precocemente e evitar complicações congênitas.

Entre as complicações da toxoplasmose ocular, inclui-se edema de mácula, descolamento de retina, glaucoma, opacidades ou hemorragias vítreas, hemorragia retiniana, oclusão vascular, neovascularização sub-retiniana e membrana epirretiniana. Essas intercorrências são mais comuns nos casos mais graves e são causas importantes de morbidade.
Já o tratamento é baseado no uso de medicamentos antiparasitários, como a sulfadiazina e a pirimetamina, além de corticoides para reduzir a inflamação e prevenir a transmissão ao feto. Em algumas situações, especialmente quando há recorrências, o acompanhamento oftalmológico contínuo é essencial para evitar danos permanentes à visão.
Manter-se informado sobre a toxoplasmose e sua relação com a saúde ocular é essencial para a prevenção e o tratamento adequado dessa infecção, reduzindo riscos de complicações visuais e garantindo melhor qualidade de vida.
Toxoplasmose na gravidez: riscos para a futura mamãe e para o feto.
A toxoplasmose congênita ocorre quando a mãe adquire a infecção durante a gestação e transmite o protozoário ao feto por meio da placenta. A gravidade das consequências depende do trimestre em que a infecção ocorre:
- Primeiro trimestre: maior risco de aborto espontâneo e malformações fetais graves, como hidrocefalia, calcificações cerebrais e coriorretinite (inflamação ocular que pode levar à cegueira);
- Segundo trimestre: o risco de transmissão aumenta, mas os sintomas podem ser menos graves. Ainda assim, podem ocorrer problemas neurológicos e visuais;
- Terceiro trimestre: a chance de transmissão é maior, mas os sintomas podem ser leves ou mesmo assintomáticos ao nascimento, manifestando-se anos depois.
Diagnóstico da toxoplasmose na gestação

O pré-natal inclui exames de sorologia para detectar a presença de anticorpos contra o Toxoplasma gondii. Os principais são:
- IgM positivo: indica infecção recente, com maior risco de transmissão ao bebê;
- IgG positivo e IgM negativo: sugere imunidade adquirida antes da gestação, sem risco ao feto;
- IgG e IgM negativos: indica que a gestante nunca teve contato com o parasita, sendo mais suscetível à infecção e devendo adotar medidas preventivas rigorosas.
Caso haja suspeita de infecção recente, exames complementares, como o teste de avidez de IgG e a amniocentese (para detectar o parasita no líquido amniótico), podem ser realizados para avaliar o risco ao feto.
Como evitar a toxoplasmose na gravidez?
A prevenção é fundamental, especialmente para gestantes que nunca tiveram contato com o parasita. Algumas medidas importantes incluem:
- Evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas, dando preferência a alimentos bem cozidos;
- Lavar bem frutas, legumes e verduras antes do consumo;
- Higienizar bem as mãos após o manuseio de alimentos crus;
- Utilizar luvas ao mexer com terra ou jardinagem;
- Evitar contato com fezes de gatos;
- Manter os animais domésticos alimentados com ração e água limpa;
- Consumir apenas água filtrada ou fervida.

Como pode-se perceber, a toxoplasmose é uma infecção séria para gestantes e pode causar complicações graves no desenvolvimento fetal. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a adoção de medidas preventivas são essenciais para garantir uma gestação segura. Da mesma forma, o acompanhamento médico durante o pré-natal e a conscientização sobre os riscos são fundamentais para proteger tanto a mãe quanto o bebê.
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