Diferentes tipos de entes intraoculares.

LENTES INTRAOCULARES – A EVOLUÇÃO DAS LIOS

As Lentes Intraoculares (LIOs) são implantes de altíssima tecnologia que substituem a função óptica do cristalino natural do olho, seja quando este se torna opaco ou, em casos selecionados, para a correção definitiva de altos graus refrativos. Seu desenvolvimento transformou a cirurgia de catarata de um procedimento meramente reabilitativo – que apenas removia a opacidade – em uma oportunidade para uma visão frequentemente superior à que o paciente tinha antes do desenvolvimento da doença. 

A evolução das LIOs trouxe opções que vão muito além da simples focalização para longe. Fabricadas com materiais biocompatíveis e dobráveis (como acrílico ou silicone), podem ser implantadas através de micro incisões menores que 2.5 mm, o que garante uma recuperação rápida e pouco traumática. Atualmente, temos lentes que podem ser personalizadas para corrigir, simultaneamente, miopia, hipermetropia, astigmatismo (LIOs tóricas) e até a presbiopia, ou “vista cansada” (LIOs multifocais, trifocais e de alcance estendido de foco – EDOF). 

A escolha do modelo ideal é um processo meticuloso, que considera o estilo de vida, a anatomia ocular, as expectativas do paciente e a precisão dos cálculos biométricos pré-operatórios. Assim, a moderna cirurgia de catarata tornou-se também um procedimento refrativo de alta precisão, oferecendo a milhões de pessoas a oportunidade de enxergar bem em todas as distâncias, com uma independência de óculos antes impensável. 

Em agosto de 2024, Filomena Ribeiro MD, PhD e colaboradores publicaram no JCRS nova proposta da ESCRS para organizar as lentes intraoculares (LIOs) com base no desempenho visual funcional real dos pacientes. O artigo argumenta que as classificações tradicionais muitas vezes confundem o design óptico com os resultados clínicos, defendendo um sistema fundamentado em evidências e métricas de curva de desfoco.

A nova estrutura divide as lentes em categorias de alcance parcial ou alcance total, facilitando a distinção entre tecnologias como as monofocais avançadas, as de foco estendido (EDOF) e as multifocais. Esse método busca padronizar a comunicação científica e auxiliar cirurgiões a preverem melhor a independência de óculos e a qualidade de visão após a cirurgia. O objetivo final é estabelecer um consenso global que priorize como o paciente enxerga em diferentes distâncias no cotidiano.

Sendo assim, o artigo apresenta uma estrutura para a classificação de lentes intraoculares (LIOs), dividida em três categorias principais que abrangem o design, o comportamento da luz e a percepção do paciente.

Estrutura para classificação das Lentes Intraoculares (LIOS)

Ilustração representativa dos implantes de lentes intraoculares (LIOS)

1. Características da Lente (Lens feature)

Esta categoria refere-se ao design da LIO e à sua estrutura física. Os detalhes incluem:

  • 1.1. Estrutura óptica: define como a lente é construída para manipular a luz, podendo utilizar grades difrativas, zonas refrativas, pequenas aberturas, superfícies asféricas ou designs zonais.
  • 1.2. Material: composição química da lente, com opções como acrílico hidrofílico, acrílico hidrofóbico ou silicone.
  • 1.3. Plataforma: o formato físico e o suporte da lente no olho, como os modelos de alça fechada (closed loop), alça em C (c-loop) ou hápticos em prato (plate haptic).
  • 1.4. Tamanhos: especificações de dimensões, incluindo a zona óptica e o diâmetro total da óptica.

2. Resultado Óptico (Optical outcome)

Esta categoria descreve como a luz é focada e distribuída pela lente. Os parâmetros avaliados são:

  • 2.1. Princípio: a base física do funcionamento, podendo ser refrativo ou difrativo.
  • 2.2. Função de Transferência de Modulação (MTF): medição da qualidade da imagem, que pode ser analisada de forma bidimensional ou através do foco (through-focus).
  • 2.3. Função de Espalhamento de Ponto (PSF): avalia a distribuição da luz, incluindo métricas como a razão de Strehl, o raio do halo e a distribuição de intensidade.

3. Resultado Funcional (Functional outcome)

Esta categoria foca no desempenho visual do paciente e no impacto da lente em sua vida diária. Os itens detalhados são:

  • 3.1. Acuidade Visual Não Corrigida (UDVA) monocular e binocular: medida nas distâncias de longe, intermediária e perto.
  • 3.2. Acuidade Visual Corrigida para Longe (CDVA) monocular e binocular: também avaliada para longe, intermediária e perto.
  • 3.3. Curva de desfoco: analisa a visão em diferentes profundidades, focando na área sob a curva e na amplitude de campo (range of field).
  • 3.4. Independência de óculos: o nível de necessidade de correção externa para visão de longe, intermediária e perto.
  • 3.5. Fenômenos fóticos: percepções visuais indesejadas relatadas pelo paciente.
    • 3.5.1. Disfotopsia positiva: inclui a percepção de halos, brilho (glare) e flashes de luz (starburst).
    • 3.5.2. Disfotopsia negativa: refere-se a sombras ou áreas escuras no campo de visão.

O artigo ressalta que esta lista serve apenas como um exemplo e pode conter mais opções do que as listadas. É importante notar que uma classificação em uma categoria óptica não garante necessariamente o mesmo resultado na categoria funcional, devido a fatores complexos de cada design.

Portanto, de acordo com o artigo, as LIOs estariam segundo a sua classificação funcional divididas em lentes de amplitude de foco parcial e amplitude de foco total (multifocais) como na tabela exemplificada abaixo: 

Aliando às questões técnicas das LIOs acima descritas ao estilo de vida e expectativas dos pacientes, o cirurgião é capaz de definir a melhor opção para cada paciente. Por exemplo, um motorista de aplicativo que utiliza o Waze necessitaria de uma boa visão longe e intermediário, porém com uma excelente qualidade de visão preferencialmente para longe, com menor número de disfotopsias positivas possíveis (sintomas de distorção da luz em geral noturnos). Neste caso, uma lente de foco estendido seria a melhor opção.

Ao contrário, no caso de uma pessoa que usa mais a visão para perto, em leituras e trabalhos manuais, que não costuma dirigir muito à noite se beneficiaria mais de uma lente intraocular multifocal de transição suave que promove melhora da acuidade visual para perto, podendo tolerar bem alguma disfotopsia noturna para longe. 

Portanto, as lentes intraoculares (LIOs) representam uma solução avançada e eficaz para a correção de problemas de visão. Com várias opções disponíveis, elas oferecem uma variedade de soluções personalizadas para melhorar a visão e a qualidade de vida dos pacientes. Logicamente, a escolha da que melhor caberá a cada caso dependerá de consulta ao oftalmologista. Ele é o profissional capacitado para analisar cada possibilidade. 

Vamos cuidar disso juntos?      

Com anos de experiência, meu foco é ajudar os pacientes a VEREM o mundo da melhor maneira possível por meio de tratamentos modernos e de acordo com cada particularidade. Vamos agendar uma consulta e entender como podemos cuidar da sua saúde? 

Dra Terla Castro

Médica Oftalmologista 

CRM 22717

RQE 13628

Especialista em Córnea, Cirurgia do Ceratocone, Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata, Implante de Lentes intraoculares e Lentes de Contato. 

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