Após a realização de uma cirurgia ocular, uma condição comum que pode ocorrer é a síndrome do olho seco , e isso pode afetar a qualidade de vida e a recuperação dos pacientes. Caracterizada pela diminuição da produção de lágrimas ou pela evaporação excessiva das mesmas, ela resulta em desconforto, visão turva e outros sintomas incômodos.
Embora a síndrome do olho seco possa surgir por diversas causas, são muitos os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento após procedimentos cirúrgicos, incluindo alterações na superfície ocular, inflamação, muitas vezes presentes antes mesmo do procedimento, e mudanças na produção lacrimal. Por isso, compreendê-los e adotar medidas preventivas e terapêuticas adequadas é essencial para minimizar os impactos negativos dessa condição no pós-cirúrgico.
Entenda as causas do olho seco pós-cirurgia
1. Alterações na superfície ocular
Procedimentos cirúrgicos, como cirurgia refrativa (qualquer técnica), catarata e transplante de córnea, podem alterar a superfície ocular e a integridade da camada de lágrimas em diferentes intensidades, podendo ser de leve, o que ocorre na imensa maioria dos casos, de moderada, ou até mesmo de grave intensidade em raros casos. Tais mudanças podem comprometer a distribuição e a estabilidade do filme lacrimal, aumentando a evaporação das lágrimas e resultando em sintomas de olho seco.
2. Mudanças na produção lacrimal

Certas cirurgias oculares podem impactar diretamente a lubrificação ocular, uma vez que tem risco de causar dano na via neural responsável por estimular a excreção da lágrima pela glândula lacrimal. Por exemplo, durante o procedimento LASIK, as terminações nervosas que inervam a córnea podem ser danificadas, principalmente em casos de ablações muito profundas (altos graus), reduzindo a sensibilidade corneana e, consequentemente, a produção de lágrima reflexa.
Tal redução na produção lacrimal pode contribuir para o desenvolvimento da síndrome do olho seco. Quanto maior o grau tratado a laser, maior o risco de desenvolvê-la. Entretanto, pós-LASIK , esse risco é de apenas 4% e, na maioria dos casos, a condição desencadeada pelo procedimento é de leve intensidade e tem resolução dentro de 6 a 12 meses de pós-operatório. Em apenas 0,8% das ocorrências pós-cirúrgicas ela pode ser intensa.
Vale ressaltar que deve-se ter cautela ao operar pacientes portadores do distúrbio previamente ao procedimento, estando contraindicado para aqueles que possuem formas graves da doença ou que estão em uso de medicações que induzem ao olho seco, como por exemplo a isotretinoína (Roacutan).
Principais sintomas da síndrome do olho seco
Os sintomas da síndrome do olho seco, pós-cirurgia ocular, podem variar de leves a graves e incluem, entre eles:
- Sensação de ardor ou queimação nos olhos;
- Sensação de corpo estranho ou areia nos olhos;
- Coceira
- Vermelhidão ocular;
- Visão embaçada, borrada, turva ou flutuante;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Cansaço ocular;
- Lacrimejamento excessivo;
- Dificuldade para usar lentes de contato.

Como é realizado o diagnóstico?
O diagnóstico da condição é realizado levando em consideração a história clínica do paciente, os sintomas relatados e alguns exames específicos. Testes comuns para detectar a síndrome incluem:
- Teste de Schirmer: avalia a produção de lágrimas;
- Teste de coloração com fluoresceína, lissamina verde e rosa bengala: avalia a integridade da superfície ocular;
- Teste de Break up time: avalia o tempo de rotura do filme lacrimal
- Osmolaridade lacrimal: mede a concentração de solutos nas lágrimas;
- Análise da camada lipídica: avalia a estabilidade do filme lacrimal.
Tratamento para reverter a síndrome do olho seco pós-cirurgia
Felizmente, existem tratamentos que podem reverter os sintomas do olho seco. Entre eles pode-se citar:
1. Lubrificantes oculares: estes funcionam como lágrimas artificiais e são frequentemente utilizados para aliviar os sintomas de olho seco. Eles ajudam a manter a superfície ocular hidratada e a melhorar a qualidade do filme lacrimal;
2. Anti-inflamatórios: medicamentos anti-inflamatórios, como colírios de corticosteróides, tacrolimus e ciclosporina, podem ser prescritos para reduzir a inflamação e melhorar a produção e a qualidade das lágrimas;

3. Antibióticos sistêmicos: derivados das tetraciclinas como a doxiciclina e derivados da eritromicina como a azitromicina atuam no bordo palpebral não apenas como antibióticos, mas também como anti-inflamatórios e são úteis quando existe blefarite associada;
4. Oclusão dos pontos lacrimais: esta é uma opção terapêutica para reduzir a drenagem das lágrimas e aumentar sua permanência na superfície ocular. O procedimento pode ser realizado, temporariamente, com plugs dissolvíveis ou permanentemente com plugs de silicone;
5. Terapias complementares: as terapias complementares, como a aplicação de compressas quentes, massagem das pálpebras e suplementação com ácidos graxos ômega-3, podem ajudar a melhorar a função das glândulas meibomianas e a qualidade do filme lacrimal;
6. Tecnologias: tratamentos como a aplicação de Luz Intensa Pulsada ou Termomecânica podem contribuir naqueles casos com blefarites e meibomites associadas.
Existem formas de prevenir a condição?
É possível prevenir a síndrome do olho seco adotando algumas medidas como:
- Avaliação pré-operatória detalhada para identificar fatores de risco;
- Uso de lubrificantes oculares antes e após a cirurgia;
- Monitoramento regular e ajustes no tratamento conforme necessário.

Sem dúvidas, o olho seco pós-cirurgia ocular é uma complicação comum que pode afetar significativamente a recuperação e o conforto pós-cirúrgico. Sendo assim, a identificação precoce e o manejo adequado dessa condição são essenciais para minimizar seus impactos negativos e promover uma recuperação bem-sucedida. Além disso, o envolvimento ativo do paciente no cuidado dos olhos e a adesão às recomendações médicas são fundamentais para o sucesso do tratamento.
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