Embora grande parte das pessoas tenha conhecimento de que a Catarata é uma das principais condições oculares que afetam a visão, especialmente em idosos, nem sempre sabe quais são os fatores de risco para desenvolvê-la. Além disso, ignora que sua manifestação independe de idade. Sim, o envelhecimento não é o único fator desencadeador.
Para falarmos sobre os fatores de risco para o desenvolvimento da Catarata, é importante, primeiro, rever o conceito da doença ocular. Ela ocorre quando a lente natural do olho, o cristalino, torna-se opaco, resultando em sintomas como visão distorcida, embaçada, dupla ou, ainda, causando dificuldades para dirigir à noite, por exemplo. Sendo assim, pacientes com a condição têm sua qualidade de vida prejudicada, especialmente para lidar com as situações do cotidiano.
E quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da Catarata?
Ainda que a Catarata seja parte do processo natural do envelhecimento, vários fatores de risco podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento dessa condição. Eles podem ser divididos em naturais ou adquiridos.
1. Fatores de riscos naturais (não modificáveis) para o desenvolvimento da Catarata

O desenvolvimento da Catarata está intrinsecamente ligado a processos naturais e biológicos, sendo alguns fatores de risco completamente inerentes à condição humana e, portanto, não modificáveis. O principal e mais significativo deles é a idade avançada. A doença ocular é predominantemente uma condição degenerativa associada ao envelhecimento, conhecida como Catarata Senil.
Com o passar dos anos, as proteínas do cristalino (a lente natural do olho) começam a se agregar e a oxidar, perdendo sua transparência natural. É um processo universal, embora o ritmo e a severidade variem muito de pessoa para pessoa. Praticamente todos os indivíduos desenvolverão algum grau de opacidade do cristalino se viverem o suficiente.
Outro fator natural fundamental é a genética e a história familiar. A predisposição para desenvolver Catarata mais precocemente ou de tipos específicos (como a Catarata Congênita ou algumas formas de Catarata Subcapsular Posterior) pode ser herdada. Além disso, malformações oculares congênitas podem predispor ao problema. Questões relacionadas ao sexo biológico também são relevantes, pois estudos indicam que as mulheres têm um risco ligeiramente maior de desenvolver a condição em comparação com homens da mesma idade, possivelmente devido a fatores hormonais e à maior expectativa de vida.
Por fim, a etnia é um fator observado, com indivíduos de pele mais escura (maior pigmentação) apresentando, em alguns estudos, maior risco e incidência mais precoce, possivelmente devido a diferenças na anatomia ocular e na incidência de luz ultravioleta na estrutura interna do olho.
2. Fatores de risco adquiridos (modificáveis e ambientais) para Catarata
Ao contrário dos fatores naturais, os fatores de risco adquiridos são aqueles relacionados ao estilo de vida, ambiente e condições de saúde que podem ser, em grande parte, prevenidos ou controlados. Sua gestão é fundamental para retardar o aparecimento e a progressão da Catarata.
O fator ambiental mais significativo é a exposição crônica e desprotegida à radiação ultravioleta (UV) do sol. Os raios UV-B promovem a formação de radicais livres no cristalino, danificando suas proteínas e acelerando sua opacificação. Pessoas que trabalham ao ar livre ou vivem em regiões de alta altitude têm risco aumentado. O uso de óculos de sol, bonés e chapéus com proteção UV adequada pode ajudar a reduzi-lo.
Entretanto, hábitos e condições médicas específicas também desempenham um papel crucial:
- Tabagismo: fumar duplica ou até triplica o risco. As toxinas do cigarro geram espécies reativas de oxigênio que danificam diretamente o cristalino e reduzem a ação de antioxidantes protetores.
- Consumo excessivo de álcool: o etanol pode ter efeito tóxico direto ou levar a deficiências nutricionais que prejudicam a saúde do cristalino.
- Desnutrição e dieta pobre: uma alimentação deficiente em antioxidantes (vitaminas C e E, luteína, zeaxantina) e minerais não oferece proteção adequada contra o estresse oxidativo. A obesidade é um fator de risco independente.
- Doenças Sistêmicas: a Diabetes Mellitus descontrolada é um dos maiores fatores de risco adquiridos. Os altos níveis de glicose no humor aquoso levam ao acúmulo de sorbitol no cristalino, causando edema e opacidade (Catarata Metabólica).
- Uso prolongado de medicamentos: o uso crônico de corticosteroides (seja oral, tópico ou inalatório) é uma causa bem estabelecida de Catarata, especialmente a subcapsular posterior.

- Traumatismo ocular: qualquer lesão contundente ou perfurante no olho (Catarata traumática) pode danificar o cristalino imediatamente ou anos depois.
- Exposição à radiação ionizante: tratamentos como radioterapia para tumores próximos ao olho ou exposição ocupacional sem proteção.
- Histórico de cirurgia ocular: ter realizado outras cirurgias intraoculares (como vitrectomia ou cirurgia de glaucoma) aumenta o risco de desenvolver Catarata mais rapidamente.
- Inflamação ocular crônica: doenças como uveíte de longa data causam alterações no humor aquoso que aceleram a degeneração do cristalino.
Em resumo, enquanto a idade é o principal motor, a combinação desses fatores adquiridos pode acelerar drasticamente o processo. A adoção de um estilo de vida saudável permanece como a principal estratégia para prevenção e retardamento da Catarata. Não podemos deixar de lembrar que a prevenção também está centrada nas visitas de rotina ao seu oftalmologista.
A consulta regular com o oftalmologista é a pedra angular da prevenção e do manejo adequado da Catarata, pois permite o diagnóstico precoce da opacidade do cristalino, muitas vezes antes mesmo que os sintomas se tornem perceptíveis ou impactem significativamente a qualidade de vida. Por meio de exames especializados, o especialista não só confirma a presença da condição, mas também monitora sua progressão, define o momento ideal para a intervenção cirúrgica e, fundamentalmente, identifica e orienta a correção dos fatores de risco modificáveis – como o controle rigoroso da diabetes, a prescrição de alternativas a medicamentos corticosteroides quando possível, e a forte recomendação do uso de óculos com proteção UV e da cessação do tabagismo.
Dessa forma, a visita periódica ao médico especialista transcende a simples avaliação da visão, transformando-se em um ato essencial de saúde pública que pode retardar o desenvolvimento da doença, prevenir a cegueira evitável e garantir que o tratamento, quando necessário, seja realizado com o máximo de segurança e resultados previsíveis.
Vamos cuidar disso juntos?
Com anos de experiência, meu foco é ajudar os pacientes a VEREM o mundo da melhor maneira possível por meio de tratamentos modernos e de acordo com cada particularidade. Vamos agendar uma consulta e entender como podemos cuidar da sua saúde?
Dra Terla Castro
Médica Oftalmologista
CRM 22717
RQE 13628
Especialista em Córnea, Cirurgia do Ceratocone, Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata, Implante de Lentes Intraoculares e Lentes de Contato.
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